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A Resiliência do atleta

Vivemos numa sociedade em que a evolução acelerada resulta dos efeitos da globalização, em que o desporto se tem marcado pela constante procura de desempenhos e competências superiores e num mundo onde a performance é essencial para se atingir a excelência. Faz sentido compreender o que está por detrás de um grande atleta, o caminho que este tem de percorrer e de que forma ele pode potencializar os seus resultados.

Existem diversas formas de avaliar/definir o palmarés desportivo: através das medalhas, dos títulos ou até dos pontos alcançados.

A excelência desportiva depende de múltiplos fatores: psicológicos, genéticos e contextuais, que determinam o nível de sucesso do atleta.

A família assume-se como o mais relevante e determinante, quer no reforço dos momentos positivos, quer para potenciar sentimentos de autovalorização e, até mesmo, para ajudar a ultrapassar momentos e experiências menos boas.

Em todos os desportos, tal como na modalidade OCR, o caminho que conduz à excelência não é para os impacientes nem para os que rapidamente se deixam vencer. O desenvolvimento requer sacrifício, luta e sem atalhos.

É preciso dedicação, investimento e gestão de tempo de forma inteligente, o atleta deve ter plena consciência do caminho a percorrer e abdicar da sua zona de conforto.  É aqui que o treinador assume um papel muito importante na orientação do atleta nos treinos e tarefas a fazer.

Os treinadores devem, também, ter a capacidade de gerir a fadiga física e psicológica do atleta, ajudar na recuperação de cargas de treino intensas e ajudar a contornar e superar o medo do fracasso a que os atletas estão expostos.

Os atletas de elite caracterizam-se por serem determinados, resilientes, otimistas e confiantes. Todas estas características psicológicas aliadas à dedicação pessoal e empenho são a chave para que o sucesso se torne efetivo. É necessário estabelecer objetivos claros e tomar decisões acertadas, aprender a lidar com as regras, gerir emoções, perdas e ganhos são também fundamentais neste processo de desenvolvimento.

O caminho para o sucesso nem sempre é fácil de percorrer, são muitos os fatores que contribuem para as desistências e inúmeros os sacrifícios a suportar. O sacrifício no desporto não começa quando o atleta atinge o objetivo, começa muito antes, quando o atleta começa a dar os primeiros passos, a desenvolver o talento que possui.

Mas o que leva hoje em dia as pessoas, em todas as suas faixas etárias, procurarem a actividade desportiva, nas suas diversas categorias, quer sejam elas de competição, prazer ou até mesmo como uma forma de turismo ativo?

Será esta uma nova moda?

Acredito que não, que é mais do que isso... É uma mudança na cultura, pois os fortes apelos da OMS e o acesso facilitado à informação em fontes abertas, permitiu esta transformação, aliadas à experiência, à sensação e ao prazer de integração e satisfação.

No entanto e segundo Romeu Duarte, consultor na OMS, Portugal está entre os países da União Europeia com maior nivel de inatividade física, condição esta que aumenta em 20% o risco de doença cardiovascular.

Dito isto, não poderemos pensar que o sucesso da modalidade OCR, depende só dos atletas e das organizações, mas sim também do investimento do Estado e das instituições, que deverão continuar a promover na mudança de paradigma, ou seja, na partilha da gestão do desporto e colocar no topo das suas prioridades o aumento dos níveis de atividade física dos seus cidadãos, quer através de programas específicos para os vários segmentos da população, quer por estratégias que promovam e facilitem a mudança de comportamentos nas rotinas diárias dos cidadãos e acima de tudo, refletir sobre a necessidade de redirecionar os seus investimentos em função destas mesmas prioridades.

Vamos TODOS valorizar a modalidade que amamos com o objetivo de nos tornarmos melhores desportistas e cidadãos saudáveis!