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Circuito nacional OCR

Em 2017 nasce a primeira prova, onde tive o prazer de me estrear nesta modalidade, que adoro.

Três anos depois, olhamos para esta marca e vimos um crescimento enorme, um sucesso, um desafio constante para muitos... afinal quem está por detrás disto tudo?

A marca Police Challenge é hoje seguida por milhares de atletas e organizações que direta ou indiretamente seguem os seus passos em termos de organização e gestão de eventos OCR.

Com o início de 2020 é importante perceber tudo o que está a acontecer e quais os projetos futuros da marca, pelo que nada melhor do que ouvir o mentor do Police Challenge

 

1.Quem é o Nelson Correia?

Sou um aquariano que sonha muito, fiel aos amigos e adoro desafios!                                                                                                                   

No fundo, gosto mais de ouvir, do que falar de mim próprio, pois teria muito a dizer, desde as aventuras pessoais às aventuras exigentes da minha vida profissional pelo mundo, mas vou deixar isso para contar um dia aos meus netos.

2.De que forma te iniciaste na prática desportiva?

Iniciei a minha atividade desportiva aos 8 anos, no futebol, como atleta federado até aos 17 anos, depois perante uma lesão grave, tive de optar entre ser operado ou deixar o futebol, na altura a opção foi deixar o futebol e iniciei as artes marciais, onde pratiquei durante 10 anos.   

No ano de 2000 iniciei a minha actividade profissional, com objetivos bem definidos... e hoje sinto-me feliz por ter atingido o percurso que sempre sonhei!

Foi em 2000 que iniciei o gosto pela corrida com obstáculos, na altura como militar de operações especiais e dois anos depois numa área mais profissional, na qual me orgulho ter passado 7 anos a treinar ao mais alto nível, e que por razões profissionais dispenso dizer o nome.

Foram muitos anos a treinar obstáculos de uma forma alucinante, fazia o que gostava e era pago para isso. 

3. De que forma o teu percurso pessoal e desportivo te conduziram a esta modalidade?

Como disse anteriormente, tive o primeiro contacto no ano de 2000, chamava-se pistas de obstáculos, desconhecendo totalmente a existência desta modalidade na vertente civil. Em 2005, os treinos eram diários e de forma profissional, por inerência das funções e condição física obrigatória nas funções profissionais. 

Em 2016 já em Viseu, nasce a ideia de fazer um trail com obstáculos. Após fazer algumas pesquisas deparo-me com a modalidade OCR, fiquei surpreendido porque desconhecia que tal já se praticasse na vida civil em formato desportivo. Experimentei várias provas nacionais e internacionais e vi que faltava algo.

Reuni uma equipa e começa-mos a projetar uma prova para 2017 com o objetivo de ter 200 atletas. As dinâmicas que se foram criando e o empenho foi tanto que nessa primeira prova tivemos 900 atletas superando tudo e todos quando falamos de uma cidade do interior.

4.Todas as provas da Police têm a prova dos Kids. Como organizador e impulsionador da modalidade, de que forma as provas kids contribuem para a formação dos nossos jovens e, porventura, futuros atletas amanhã?

 Portugal precisa crescer na modalidade, quer em termos de atletas quer na qualidade das organizações. O Police Challenge veio de certa forma impulsionar o crescimento da modalidade, que até então era feita por 2 ou 3 organizações sem grande impacto em termos de visibilidade. Com o aparecimento da POLICE Challenge e a projeção nacional que teve através dos mídia e de um forte investimento na promoção da modalidade a nível nacional, foram muitas as organizações que apareceram e com isso o número de atletas OCR tem crescido em Portugal.

A nossa aposta nos kids é também ela pioneira em Portugal permitindo que as crianças pratiquem a modalidade num ambiente competitivo, onde todos ganham ao superarem um percurso de obstáculos adaptados às idades. Acredito que é nas crianças que a modalidade vai vingar no futuro, tirar as crianças de casa para correr e saltar é cada vez mais difícil no quotidiano das famílias, mas é este o nosso desafio. Seguimos assim as recomendações internacionais das agências que estudam estas matérias, pelo que vamos continuar a apostar na vertente kids, não só pelo conceito familiar que traz aos nossos eventos, como pelo prazer que é ver crianças a praticar esta modalidade.

5.No teu entender, quais os valores e princípios que os atletas devem ter sempre como princípio?

Os atletas são pessoas e os valores vêm com a pessoa, contudo, esta modalidade tem características diferentes de todas as outras, exemplo disso é ver atletas a ajudarem-se uns aos outros, ver atletas adversários abraçarem-se na meta mostra os valores que se pretende para esta modalidade.

6.Organizar 4 provas num ano, em grandes cidades e com a exigências das provas Police, é algo exigente a muitos níveis. Muitas horas de trabalho muitas horas longe do ambiente familiar. Quais os maiores sacrifícios necessários para que no dia não falte nada?

Esta é uma aventura, o tal desafio que falamos no inicio.

Foram e são muitas horas durante o ano todo dedicado ao projeto. No início, não tinha qualquer experiência na gestão de eventos e o crescimento rápido da marca obrigou-me a muitas horas de estudo e pesquisa fora do ambiente familiar e a trabalhar durante toda a noite...contado ninguém acredita, costumo dizer que não basta querer...tens de querer mesmo muito.

Organizar 4 provas diferentes em 4 cidades diferentes, sem uma estrutura profissional e com a dimensão das nossas corridas é por si só uma maratona de obstáculos onde o tempo é sempre pouco. Esta não é a minha atividade profissional e conciliar tudo isto é um desafio apaixonante!

Uma organização destas implica a gestão de várias equipas dentro das diferentes áreas de responsabilidades, algo que tive de aprender rápido! É fundamental a gestão de emoções, pois todos pensam diferente, todos têm emoções diferentes, todos têm problemas diferentes e por vezes tudo parece igual e simples de resolver, mas não o é... o espírito divertido criado em torno do projeto possibilita gerir com alguma facilidade estas equipas, que para mim são as melhores do mundo, estou rodeado de verdadeiros amigos e toda a minha família!

7. Em 2019 a etapa de Oeiras, surgiu numa cidade que já tinha anunciado uma OCR, todos temos curiosidade de saber o porquê de apostar numa 2ª prova na mesma cidade.

Sim, Oeiras foi um desafio que me foi lançado quando já não era esperada mais nenhuma prova para 2019. Ao contrário do que alguns pensaram, a Police Challenge foi convidada por uma instituição a fazer uma corrida em Oeiras e o desafio foi aceite!

Tive alguns receios, fazer uma prova na zona da grande Lisboa trás responsabilidades acrescidas no meu entender...sabemos também que existiam algumas pessoas opositores ao nosso conceito, sem razões, apenas porque nunca lhes foi dado mediatismo, é normal!

Inicialmente a Police Challenge deu visibilidade a atletas desconhecidos o que gerou alguma controvérsia e estratégias nos bastidores contra a marca. Hoje, apesar de haver ainda algumas pessoas que mantêm essa posição, só porque sim..., já muitos se renderam e perceberam que todos são importantes e bem-vindos à Police Challenge, independentemente da equipa que representam, pois somos uma organização, uma marca que tem como objetivo a promoção da modalidade e de novos atletas.

Esta é uma corrida de todos para todos e prova disso, foi o evento de Oeiras, muita coisa estava em jogo, muita informação havia a circular nos bastidores, mas no final, uma vez mais, apresentámos uma prova diferente e de excelência. Oeiras foi uma conquista que nos deixou de coração cheio em vários níveis e agora Seia é outro grande desafio.

8.Quais as maiores dificuldades em organizar um circuito?

Organizar 20 toneladas de logística e um staff de 60 pessoas para cada evento é um verdadeiro desafio, mas a minha grande dificuldade foi criar o conceito, o regulamento, planear sem experiência é muito difícil, porque é fundamental prever o que vai acontecer! 

Mas tudo isto se torna facil, quando tens uma equipa de staff, como o Police Challenge tem, e claro, errar faz parte do nosso crescimento.

9.Expectativas para 2020?

São muitas... 

Crescer enquanto marca, possibilitando aos atletas mais qualidade nas nossas provas e em todas as vertentes. Estamos a trabalhar arduamente, longe dos holofotes de quem vê a organização de fora, para que no dia das provas tudo esteja pronto com as grandes novidades para 2020 e as que já se estão a projetar para 2021.

10.As provas de obstáculos serão algum dia um desporto olímpico?

Acredito que sim, mas vai demorar o seu tempo. Já se vê muito trabalho em termos internacionais, apesar dos interesses financeiros que poderão colocar em risco a modalidade. Acredito que esta modalidade não será uma moda, mas sim, uma revelação enquanto modalidade desportiva se apostarmos na participação ativa das crianças.

Defendo também que a modalidade deve ser aberta à comunidade, restringir e obrigar atletas amadores a determinados registos para participar em competições internacionais, é no meu ponto de vista, errado. Não nos podemos esquecer que a modalidade na maior parte dos países ainda não é federada, este é o caminho, mas para lá chegar temos de ter atletas, seguidores e uma estrutura que permita apoiar estes atletas com normas de seleção e regulamentação da modalidade.

Portugal precisa de se fazer ouvir junto das instituições internacionais que regulam, ou tentam regular a modalidade a nível internacional.