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OCR World Championships

Meses e meses à espera e o tão esperado fim-de-semana tinha chegado! Lá íamos nós a caminho de Londres para o tão esperado OCRWC em Kelvedon Hatch.

Dia 1_11 Outubro 2019

O dia começou bem cedo, 4h da manhã e o despertador toca. Há um ditado que diz que quando se vai para o passeio acordar cedo não custa mas não é bem assim! Neste exacto momento pensei será que não havia voos mais tarde tínhamos mesmo que ir neste às 6h35?! 

Ponto de encontro às 05h30 no aeroporto do Porto, momento em que nos juntamos para a tão esperada aventura! “Família” reunida, check in e controlo de segurança feito, e were we go!

Mal saímos do avião fomos “brindados” com o característico tempo de Inglaterra, tempo nublado, temperaturas bem mais frescas e uma pequena precipitação.

 

Hora de ir levantar a carrinha alugada e de nos fazermos à estrada; como sabem a condução é feita de uma maneira ligeiramente diferente da nossa. Na prática não deixa de ser uma outra aventura em terras de sua majestade. O volante apresenta-se pelo lado direito do carro, a caixa de velocidades do lado esquerdo e a circulação dos veículos é toda ao contrário do que estamos habituados. Como se costuma dizer primeiro estranha-se e depois entranha-se!

              

Dirigimo-nos ao local do OCRWC, fomos a tempo de assistir à prova dos 3km, elites. Aproveitamos também para levantar os dorsais para as provas dos dias seguintes.

 

No restante dia fizemos umas compras e fomos até ao centro de Londres, Tower Bridge foi o local eleito. Uma pequena caminhada e algumas fotografias foi a única coisa possível dada a pequena precipitação que se começava a sentir. Já a caminho da carrinha, fomos presenteados com uma forte queda de chuva que num piscar de olhos nos deixou encharcados, aliás, corremos como se não houvesse amanhã!

Ao final da noite ainda houve tempo e energia para um pézinho de dança num bar próximo à casa alugada.

Dia 2_12 Outubro 2019

Mais uma vez o despertador tocou bem cedo! Um dos elementos faria de Marshall na prova dos 15 km e a Raquel, André, Hélder, Hugo e o Paulo fariam a prova. A previsão era de um dia bem fresco, as temperaturas caíram para os 12 graus com forte e constante precipitação.

O terreno da prova estava um verdadeiro campo de batalha, escorregadio e com muita lama, onde “correr” era muito difícil. Os obstáculos com água eram muitos acrescido do tempo frio, a chuva a cair com cada vez maior intensidade e os ventos fortes, levaram à “quebra” de muitos atletas; os sinais de hipotermia eram visíveis, como foi o caso da Raquel, do André e do Hélder. O Paulo e o Hugo, aguentaram-se à brava, fizeram uma prova brilhante e terminaram com a tão desejada pulseira.

No final do dia, já todos em casa, depois de um banho quentinho chegava a hora de preparar o jantar, um delicioso frango no forno com esparguete. Sim comida de atleta pois no dia seguinte havia mais competição!

Enquanto preparávamos o jantar em amena cavaqueira fomos delineando e organizando a melhor tática da equipa para a competição de domingo. A nossa equipa era composta pelo Hélder, a Raquel e o André. O Hélder faria o percurso de corrida, a Raquel as cargas e o André a suspensão. Então o objetivo principal era sermos campeões nos primeiros 100 metros. Já estávamos a imaginar a prova, o Hélder seria tao rápido que o apelidamos de o “El Fogueton”, a Raquel tão forte a “Popeye Lady das cargas” e o André voaria com uma exímia leveza seria o “Fly Ninja”.

Posto isto, fomos tomar um café, dar mais um pezinho de dança e descansar.

 

Dia 3_13 outubro 2019

6h e pouco e mais uma vez, cedíssimo, tocou o despertador!


Vestimo-nos, tomamos o pequeno-almoço e com as malas já prontas dirigimo-nos para o local da prova.

Era dia da competição de equipas e finalmente o tempo deu tréguas.

O Hugo fez a reportagem de vídeo dos três e os restantes elementos do grupo, nervosos e ansiosos, acompanharam a prova sempre que possível, a saltitar de um lado para o outro!

Chegada a hora do tiro de partida, nós estávamos a aguardar a seguir à curva, ao pé das valas e logo, soltamos os primeiros gritos de alegria, o “El Fogueton” vinha em primeiro, fez aquela curva de uma maneira exemplar, sem qualquer deslize. Objetivo cumprido, campeões dos primeiros 100mts.

A partir daí foi a loucura total, a nível emocional foi como se todos tivéssemos levado um choque de adrenalina. 

Aguardamos a chegada do Hélder junto ao último obstáculo antes da passagem do testemunho à Raquel. Lá vinha ele bastante desgastado, verdadeiramente a “patinar” por aquela lama fora, parou uns segundos, olhou para o obstáculo, respirou fundo e fez o obstáculo com bastante segurança.

A Raquel arrancou cheia de força e moralizada para a sua etapa, as cargas. Fomos acompanhando-a, dando força de todas as maneiras possíveis, gritando por ela, dando dicas, batendo palmas.

Terminada a sua etapa passa o testemunho ao André e lá vamos nós todos mais uma vez, feitos loucos a correr por aquele terreno fora de obstáculo em obstáculo. Último obstáculo de suspensão e, o André estava verdadeiramente desgastado, antebraços completamente inchados (muitos obstáculos seguidos), a cara dele de esforço e sofrimento, as mãos a começarem a escorregar e nós aos gritos, aguenta André não caias, aguenta, força, toca já no sino!

Quando o sino foi alcançado gritamos como loucos como se de um golo se tratasse que daria a vitória no último segundo do jogo.

Pouco antes do final, juntaram-se para uma série de obstáculos que os 3 teriam de transpor antes da parede final.

A tão emblemática parede pôs a prova todo o trabalho de equipa; apesar de todo o esforço e desgaste físico, a cooperação e inteligência, sobressaiu na técnica adotada para a sua transposição.
As nossas sapatilhas e calças estavam cobertas de lama (só estávamos a assistir), mas o momento estava a ser tão verdadeiramente espetacular e brutal, que era impossível ficarmos parados na meta à espera. No final arranjaríamos uma solução para a roupa.

Quando transpuseram a linha da meta o nosso coração que já ia tão cheio, transbordou, a alegria deles, a nossa satisfação e admiração, culminou com a “nossa felicidade”. Apesar de estarmos do lado de fora, fomos invadidos por um misto de sentimentos que é difícil descrever algo que ficará para sempre no coração!

Posto isto, fomos almoçar, pois, ao início da tarde, quatro outros elementos iriam participar na prova “OCRWC Charity Open”.

Equipamo-nos e enquanto esperávamos pela hora de partida, como chovia muito, mais uma vez fomos para a tenda principal. Lá cruzamo-nos com atletas internacionais, convivemos um pouquinho, fomos abordados por um atleta estrangeiro que reconheceu a nossa camisola e nos disse que em 2020 gostaria muito de fazer uma prova Police.

Aproveitamos também para tirar fotografias com Nicole Mericle, Ryan Atkins, Lindsay Webster, Aaron Newell, Albert Soley, Leon Kofoed, Thibault Debusschere, Lorena Gonzalez.

É de sublinhar a simplicidade, simpatia e a amabilidade de todos.

 

 

Chegava a hora e lá fomos nós, deu o tiro de partida e arrancamos a um ritmo louco, a Helena deu tudo, ia a um ritmo alucinante, tivemos sérias dificuldades em acompanhá-la nos primeiros 300 metros. Depois abrandou o ritmo e continuamos a nossa prova todos juntos. O terreno piorava com o decorrer das competições, cada vez mais impróprio para a corrida e muito escorregadio. Receamos por algumas vezes ficar sem as sapatilhas no meio de tanta lama, nunca mais as encontraríamos. Fomos abordando os obstáculos, tentado fazê-los com maior ou menor dificuldades, uns completamente novos, outros nem por isso.
É importante referir que ir em prova neste registo, diferente do da competição, foi fantástico; divertimo-nos imenso, o espírito de ajuda esteve sempre presente até nas várias quedas, nunca caíamos sozinhos. Os restantes elementos da equipa acompanharam-nos sempre, fizeram vídeos, tiraram fotografias, gritaram por nós, foram incansáveis!

Posto isto, era hora de voltamos para o aeroporto.

Foi um fim de semana fantástico e regressamos a casa de coração cheio!

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